quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mãe Preta fala aos filho: Que ta tudo bão, ta uai!


Mãe Preta fala aos filho: Que ta tudo bão, ta uai!

“As vezes ouço o vento passar
E só de ouvir o vento passar
Valeu a pena ter nascido”
Fernando Pessoa

Que ta tudo bão, ta uai! Que ta tudo bão, ta uai! Que ta tudo bão, ta uai! Nóis vai repetindo, repetindo, repetindo, até que isso vira uma força dentro di nóis, meu fio. Tudo o que ocê repete se fortalece dentro de ocê. Eu sim, sô essa nega veia bonitona e sem nenhuma vergonha na cara. Já perdi todos os dentes da boca e num canso de repetir: Eu Sou como Eu Sou e Sou Amada pelo que Sou. Quem tem vergonha é pancudo, safado e cheio de vaidade. Eu quero ver ocê ir lá e apresentar o que ocê tem que apresentar. Quero ver ocê vibrando, colocando pra fora esse espírito profundo que quer brilhar nessa Terra de Santa Cruz. Hein, minha fia, vai ficar até quando com essa cara de bunda se achando uma coitada, uma vítima da vida? Hein, até quando ocê vai ficar aí culpando os outros pelos sentimentos que ocê tem? Quando é que ocê vai assumir responsabilidade pelos seus sentimentos e emoções e parar de querer vestir essa roupinha de espírito elevado? Que esforço ocê ta fazendo pra elevar seu espírito? Ta entregando sua mente pra Deus na meditação? Ou ta cheia de porquera na cabeça? Ocê ta caminhando, minha fia. Zóia com amor pra essa criancinha dentro do seu peito que se sente injustiçada. Num vê que as pessoas só são espelhos pra ocê enxergar e cuidar da ferida da sua criança interior? Ferida que ocê mesma criou. As coisas acontecem e vão continuar a acontecer. Eu quero ver ocê sair desse terreno escorregadio da auto-crítica. Eu quero ver ocê parar com essa asneira de querer ser diferente. Eu quero ver se ocê tem coragem de se amar e se aceitar como ocê é, com as porcarias que ocê tem, sua chulé sem lavar. Se aceitar é ser honesta e verdadeira. É assumir a responsabilidade por tudo o que ocorre na sua vida. Tudo o que ta acontecendo é criação sua, minha fia. Assume isso e pára de dar o poder pros outros, minha neguinha. Aprende a ciência de recomeçar e num fica aí pelejando nesse buraco. Ocê erro e ainda vai errar muito. Então vamu parar com essa vaidade. Eu quero ver ocê de pé, como uma filha de Deus plena, perfeita e poderosa. Zóia pra sua alma, pra sua essência. Ela brilha como a aurora. Ocê é feita de luz, luz divina e resplandescente. Eu tumbém, minha nega. Sei que nóis ainda tem muito a caminhar nessa estrada rumo ao nosso interior, rumo a nossa divindade, ao ser puro e maravilhoso dentro de cada um de nois.

Mãe Preta se dispedi dizando: muita paz!

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