segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Mãe Preta fala aos filho: Vivendo com responsabilidade


“Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.”
Fernando Pessoa




Eia, meu povo bão. Vim aqui é uma satisfação, uma alegria minha puder trocar com ocês essas coisa do coração. Canta meu povo bão. Canta, minha Virgem Maria, Nossa Senhora. Canta, meu São João e meu São Cristovão. Canta, maravilha de Brasil, terra amada e feliz. Uai, minha flor de misericórdia. Quanta alegria minha ta com ocês. O que é bão nóis sabe que é bão. O que é ruim, nóis tumbém sabe. Mas nóis que escolher o bão, aquilo que dignifica, aquilo que engrandece e eleva. Nóis quer o mior pras nossas alma, pro nosso espírito. Uai, ocê num sabia, não? Lembrar é sempre bão. Saber da verdade é mior ainda. Nóis somos espíritos, almas de passagem por esta terra. Mas nóis num somos qualquer alma, não. Nóis é fio de Deus, minha gente. Criados à imagem e semelhança Dele. Somos a própria beleza do universo. Somos a própria inspiração da arte, do belo, daquilo que enobrece e engrandece. Somos em essência o maior tesouro que foi criado em todo o universo de Deus. Num há nada mais lindo, mais digno, mais grandioso que nóis. Somos a própria coragem de Deus, a inteligência bunita, aquilo que canta e encanta. Uai, sô, quanta coisa ocê passou e tem passado, num é minha fia. E parece tão difícil de acreditar na sua verdade mais profunda. Nóis escolheu vim pra essa Terra. Escolheu esquecer quem nóis era. Escolheu atravessar pro outro lado da ignorância e experimentar toda a escuridão do mundo material. Escolheu experimentar o medo e a dor em toda a sua forma. Agora, minha gente, chegou o momento de recordar e viver novamente a sua verdade. Tudo o que ocê viveu tem um grande propósito que é engrandecer a sua divindade interior com a experiência sentida. É ela quem se beneficia com todas essas suas encarnações aqui na Terra. E ocê é ela. Ocê é uma divindade. Num é esse chulé veio, não. Ocê num é as suas dores nem as suas dívidas, nem os seus poblemas.
- Ah é Mãe Preta, então me diz o que eu faço com as minhas contas? Meu marido foi embora e me deixou com duas crianças pequenas. Eu quero saber se ele vai voltar?
- Uai, minha fia, tomara que num volte mesmo. Ocê mesma escolheu passar por isto. Pruque ocê num zóia pra dentro de ocê, pra sua alma?
- Por que que eu iria escolher isto?
- Pra ocê descobrir seu próprio poder, sua própria força.
- Mas não é meu carma?
- Que carma nada, Zebu. Ocês tem uma cabecinha tão pequena. Ficam presas nessas idéias de carma. Isso falta de vergonha na cara, falta de laço. Quer saber, seu marido num vai voltar, não. Ocê trata de pegar uma vassoura e um paninho e ir se oferecer pra faxina.
- Mas eu não fiz minha faculdade de contabilidade pra limpar chão.
- Então passa fome, muié. E num vem se colocar em papel de vítima, não. Enquanto ocê num admitir a sua parte de responsabilidade por tudo o que acontece com ocê, as coisas não vão mudar. Seja honesta, muié. Zóia pra ocê e assume a sua parte pela situação que ocê ta vivendo. É ocê quem atraiu tudo isso.

Mãe Preta se dispedi dizando: muita paz!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mãe Preta fala aos filho: o poder das suas emoções

“Quando meus pensamentos e emoções caíram como folhas mortas

Pude ouvir o som misterioso da minha alma

Sua mensagem vinha sem vozes articuladas

E seus ensinamentos eram dados sem cátedras visíveis”
                                 Tiago Bueno Camargo



Deus é Pai de todos os seres. Inté da prostituta, do vagabundo, do ladrão, do padre e do bispo, só há um único Pai, Deus. Deus é Pai, é mãe, é também professor, é amigo, é companhia pra todos os momentos. Ele é uma Presença que tá juntinho a ocê em todos os momentos, inté quando ocê pensa estar completamene só. Nesse momento é Ele relembrando ocê da companhia que ocê nunca deixou de ter. Ocê é um fio, uma fia de Deus. Ocê é uma alma divina, criada à imagem e semelhança Dele. Portanto, ocê é poderosa, minha fia. É digna, divina e maravilhosa. É cheia de realeza e paz. Tá tudo dentro de ocê. Tá tudo dentro de nóis.
- Ai, Mãe Preta, mas eu não sinto nada disso, não. Só sinto raiva, tristeza, mágoa e ódio desse mundo.
- Eia, meu São João, que coisa mais bão nóis poder falar as coisa do coração, num é mesmo. Tem tanta gente que vive cheio de dor e num tem coragem di falar, não. Pruque ocê num vai fazer aquilo que realiza ocê, aquilo que dá prazer e vida pra sua alma? É fato que nóis entra na energia do mundo, se enche de obrigação, de modelo do que é certo, de como as coisa deveriam di tá, e despois ocê deixa a chama do seu coração se apagar. Então o ódio vem, e vem mesmo. O ódio, a raiva, tristeza, a melancolia, tudo isso vem pra ver se ocê acorda a sua alma e começa a viver novamente. Só que ocê num toma vergonha nessa cara, não. Ao invés de assumir a responsabilidade pelas suas emoções, ocê fica lançando elas pro mundo, achando culpado pras suas frustações. Mas tudo isso num passa de ódio e raiva que ocê sente por si mesma,uai. Pruque ocê num vai realizar aquele projeto seu que tá guardado? Aquela sua paixão que tem vir pro mundo, minha fia.
- É que eu tenho medo de me lançar, de fazer o que eu gostaria, Mãe Preta.
- Uai, que bão, minha fia. Ocê tem medo da sua própria força, do seu poder, por isso é que vem a raiva e ódio do mundo. É perciso assumir esse medo e não tentar expulsá-lo ou resistir a ele, pruque quando ocê atravessar ele, ocê vai chegar na sua força, uai. Mais tudo tem o seu tempo e as coisa tem que crescer que nem as plantas, organicamente. O bão mesmo é nóis começar a assumir a responsabilidade pelas nossas emoções e sentimentos e buscar sabedoria pra ir na raiz delas e libertar o poder e a força que moram ali. Deus tá conosco, embalando nóis na cadeira e balanço da luz. Tudo vai ficar bão, tudo já tá bão nesse momento, uai. Ocê tá com raiva e ódio pruque se sentiu desrespeitada, desconsiderada, desvalorizada? Hein, minha fia, é isso?
- É isso, Mae Preta, aquele sem vergonha do meu chefe não tem um pingo de consideração pelo meu esforço.
- Então ocê tá com raiva pruque necessita de respeito e consideração. Agora veja bem, quando ocê começar a se dar respeito e consideração, seu chefe tumbém vai fazer isso com ocê. Começa a se perguntar de que forma ocê pode se amar, se valorizar, se respeitar. Aprende a escuitar a sua alma. Ela fala com ocê através do poder das suas emoções.
Mãe Preta se dispede dizando: muita paz!

Mãe Preta fala aos filho: Econtro com ocê, meu fio!


“O florir do encontro casual
Dos que hão sempre de ficar estranhos...”
Fernando Pessoa










É bão, é bão mesmo ta devolta, minha gente. Nóis ta sempre aqui juntinho a ocês, vendo os poblema, escuitando as aflição, as quexas, os negrume desse povo, uai. Eu Sou nega, sim, e nega da boa, daquelas bem sem-vergonha, qui num ta nem aí pra porqueira alguma. Ocê já parou pra pensar nisso? Quanta gente que adora
se queixar das coisas, dize que ta cansado, que a coisa ta difícil, que isso, que aquilo... É tudo gente zebu, fio do capeta. Vai, minha fia, continua a reclamar desse jeito. Quando é que ocê vai tomar vergonha nessa cara. Ah, tem tanta gente que daria tudo pra ta no seu lugar. Dispois fica aí com essa cara de bunda, resmungando por causa do cansaço. Onde que ocê ta colocando seu pensamento, hein? Ta pensando só naquilo que ta faltando, naquilo que num ta bão, naquele sem vergonha que já se foi? Eu to louquinha pra ir visitar ocê. Ah, ocê num conhece a Mãe Preta, não. Ocê acha que eu num vai inté ocê? Eu vai sim, meu fio. Ocês parecem uns nenezinho. São tão mimados. Acham que são desprivilegiados, que num podem passar por dificuldades. Ficam sofrendo com essa cara de zebu, chupa-cabra e corno manso. É com ocê, minha fia. Ocê qué o que? Uma mamadeira. E ocê meu fio? A vida é assim mesmo, uai. Só ocê é que fica aí tentando controlar os fatos, as pessoas. Num deu num deu, vai pra outra. Agora ocês ficam apegados uns nos outros. As pessoas são livres, uai. Tão cheias de dores e sonhos, igualzinho a ocê. Aprende a colocar o teu pensamento em Deus e pára de pensar nos otros. Eles num vão te trazer nada. Ouviu? Nada. Só Deus é capaz de dar felicidade e o amor que ocê percura.
Chega com esse drama. Até parece que ocê num vai agüentar de tanta dor. Fica lutando, querendo que as coisa fossem diferentes, mas não são. Pára de querer controlar a realidade, é isso que traz sofrimento, meu fio. Eu vem aqui num é pra passar a mão na cabeça doces, não. É pra acordar a força que ocê é. Ocê num é pecador, num é inferior, nem desgraçado, não. É um fio de Deus, criado à imagem e semelhança Dele. Perfeito, digno e maravilhoso igualzinho a Ele. Zóia pru seu interior, pra sua alma. Coloca ali a sua atenção e termina de esse hábito de fica zoiando pros lado e cuidando da vida dos otros, uai.
Mãe Preta se dispedi dizando: muita paz!

Mãe Preta fala aos filho: Acorda, minha fia!

“Ô, nossa praias são tão claras
Nossas flores são tão raras
Isto é o meu Brasil
Ô, nossas fontes, nossas ilhas e matas
Nossos montes, nossas lindas cascatas
Deus foi quem criou”
Ary Barroso




Eta, povo bão, uai. É tão bão vim aqui. Ocês num imaginam, não. Eu gosta mesmo é di ta perto dessa gente. Isso pruque eu gosto de aprender e de ensinar tumbém. Então nóis faz essa troca gostosa, essa troca prazeirosa. Pruque se num fosse prazeirosa eu num vinha não. Uai, Mãe Preta só faz o que dá prazer, o que dá alegria, o que torna a alma viva, contente, alegre. Por isso que nóis vem até aqui, pruque dá prazer. Prazer di poder contribuir com nossa palavra, di poder contribuir com um pouquinho da nossa experiência. É tão bão isso! É tão bão que é bão. Ri é bão, num tem coisa melhor que rir, dar gargalhada, levar as coisa numa boa.
- Mãe Preta, mas a coisa ta preta lá fora.
- Uai, minha fia, preta sou eu. Eu é quem mando, pruque dentro di mim eu exerço o poder. Eu num me impressiono com nada, não. Dentro de mim eu governo.
- Ah, mas não é o seu filho que está preso, é o meu.
- E vai continuar preso, muié. Roubou tem que prender. Num é assim que funciona? Então ta preso.
- Mas eu sofro tanto.
- Vai continuar a sofrer, uai. Sofre pruque quer. Quando num quiser, num vai sofrer.
- Mas o que eu faço pra não sofrer?
- Ri, minha fia, vai rir um pouquinho. Ocês ficam pensando muito, levando tudo muito a sério. Essa vida logo acaba amanhã e dispois ocês vêm pro lado de cá e vão ficar que nem uns tonto aqui. Vão ficar pensando pruque num aproveitaram mais a vida, pruque viveram que nem uns desesperado, uns sequelados, que nem ocês falam por aí.
- Mas meu coração dói, Mãe Preta. Coração de mãe sofre.
- Só de mãe burra mesmo. Num sabe aproveitar a vida? O que ocê pode fazer? Sua preocupação só vai encher mais ainda a cabeça do seu filho. Ocês vão ficar numa ligação mental danosa. Um prejudicando o outro. Daqui a pouco ocê vai ter um “piripac” e vai cair durinha. E eu ainda vou dizer bem-feito! Num quis se cuidar deu nisso. Morreu que nem uma véia dura, caiu diretinho no chão. Num vai mais nem levantar.
Esse povo num toma jeito? Vive correndo atrás da vida dos filho. Ta quase tendo um treco e ainda assim num se cuida. E ocê minha fia? Ta com a cabeça aonde? Ta pensando no que? Eu quero ver ocê com a cabeça pra cima, levantada. Ocê é uma fia de Deus, uma alma divina, plena e poderosa. Eu quero ver ocê se ocupar com a sua glória, com a sua divindade, com a sua soberania. Eu quero ver ocê se lembrando quem ocê é, essa alma poderosa, maravilhosa, plena com todos os poderes de Deus Pai. Zóia pra dentro, pra sua alma, e pára de ficar chorando pelos canto que nem uma cabra. Ocê nasceu do mior, ocê faz parte do mior e ocê vai voltar pru mior. Pensa só nisso, pra ocê se encher de energia.

Mãe Preta si dispedi dizendo aos filhos: muita paz!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Mãe Preta fala aos filho: Eu to ni mim!

“Lá naquela serra

Não tem guerra e nem rancor

E deus me fez poeta

Pra mostrar nosso valor

E deus me fez poeta

Pra cantar pro meu amor”

                                 Chiquinha gonzaga



Acorda, Zebu! Pruque ocê fica com essa cabeça no passado, nos poblema? Ta fora daqui? Uai, as coisas num vão se resolver só pruque ocê ta pensando nelas. Sai dessa pequenez e vai beber uma água. Que coisa, inté parece que gosta de sofrer. Ocês num pegam na mão do Pai? Carregam os poblema tudo nas costas esquecidos que a responsabilidade é toda do Pai. Seu Pai num é pequeno não. Ele é o Senhor do universo, só isso. Ainda assim, ocê adora anda sozinho, num é mesmo? Vai ficando curvadinho, curvadinho, cheio di preocupação, cheio di culpa. Ocês dizem que creditam num Deus di amor, mas num é isso qui nóis vê não. Quando é que ocê vai sair dessa Terra de Ninguém? Tem neguinho que resvala que num é mole. Num consegue sair da Terra de Ninguém. Ao invés de se amar e se apoiar, vive sob a lambida do chicote da auto-crítica. Pruque eu deveria ser diferente, pruque eu já deveria ter isso, ser aquilo, estar dessa forma, num devia mais ter esse hábito, nem esse. É bão nóis aprender que é a auto-crítica que nos mantém estacionados naquilo que queremos mudar, viu minha gente. Eu quero ver ocê se olhando com abertura, com amor, procurando compreender a si mesmo. E principalmente, meu fio, quero ver ocê se apoiando, se incentivando, se colocando pra cima, vendo suas qualidades, pruque ocê tem muitas. Enxergar os defeitos é bão, mas desde de que seja com a energia da aceitação pra depois entregá-los a Deus e não repeti-los novamente. Agora ocê olha pros defeitos e cai em depressão. Isso é vaidade, pancudismo. Ocê ta fazendo o seu mior dentro dos seus limites. É bão se olhar com perdão e aceitação, meu fio. Do contrário eu vai ter que ir aí pra dar uns tapa em ocê, viu!



Mãe Preta se dispedi dizando: muita paz!

Mãe Preta fala aos filho: Voa passarinho!

“Hoje em dia eu sei que um simples dia

É tão belo quanto um diamante

Som nas ruas, ouvidos despertos,

Vento & música

E árvores dançantes”

Os The Darma Lóvers



Eu vim pra cantar, minha gente. Cantar a beleza desse povo bão. É isso mesmo, uai. Por detrás de toda essa dor e encrenca mora uma alma linda. Ocê num sabe, não. Essa baiana vai ensina ocê. Vai dizê proce o que verdadeiramente se esconde por detrás dessa aflição. Ocê é ouro, minha fia. É ouro do bão mesmo. Por debaixo dessa dor existe uma alma divina, um ser poderoso, uma alma criada à imagem e semelhança de Deus. Eu to zoiando procê mesma, uai. Num é pra outra, não. Ocês gostam di sofrer? Num gostam, não. Isso pruque na origem de ocês, viu, ocês experimentaram muito, muito amor, um amor incondicional, uma segurança incondicional, uma plenitude incondicional. E ocês buscam isso novamente. Só que tão dando cabeçada nesse mundo di meu Deus. Ocê num é esse corpo, num é seu nome, num é mãe, nem pai, nem a profissão que ocê ta representando. Ocê é uma alma divina, igualzinha a Deus. Existe uma camada de pura consciência dentro de ocê. É ali que ocê tem que jogar sua atenção. Ali mora tudo o que ocê percura do lado de fora. É a sua própria divindade. Ocê é essa divindade. Quando ocê cumeçar a meditar e percorrer o caminho interior, vai se deparar com as dores que ocê adquiriu ao longo do caminho. Essa é uma camada superficial da sua consciência. Talvez encontre traumas também. Prossiga, muié! Vá em frente e atravesse esse vale de dor. Ocê num vai morrer, não. Pára com esse vitimismo achando que o seu sofrimento é o maior do mundo. Siga em frente em direção ao seu universo divino, que ta do lado de dentro. Dia a dia busca teu companheiro, Deus, pruque sem Ele a coisa num vai. Quando é que ocê vai para de se identificar com as suas dores? Com seus defeitos? Ocê num é esse chulé, nem esse sapato veio. Ocê é divina, maravilhosa, zóia pra sua alma! Vai mais fundo e sai dessa superficialidade, Zebu. Ocê é grandiosa, bela e perfeita aos olhos de Deus. Enfrenta suas dores, sabendo que elas passaram e ocê logo logo vai entrar no seu reinado de absoluta beleza interior.



Mãe Preta se dispedi dizando aos filho: muita paz!

Mãe Preta fala aos filho: quanta alegria!

“Herança... é cabocla a pajelança

é magia que encanta,

faz a ilha delirar

as águas dançam no rio mar

Alegria no ar, vem festejar...”

                                Acadêmicos Do Tatuapé - Samba-Enredo 2005



Eu vim aqui pra soltar energia, minha gente. Põe alegria nesse pé, nessa barriga, nesse rosto, põe. Ocê tem de lembrar quem ocê é, meu fio. Ocês num têm disciplina nessa mente? Quem é ocê? É uma alma divina, poderosa, magnífica. Ah, ocê num acredita, num é mesmo? Ocê acha que é um pecador, safado, sem vergonha, um inferior cheio de defeito. Ou ocê consegue ir mais fundo dentro de ocê e tocar a sua divindade? Hein, minha fia? Ta esperando o que? Quando é que ocê vai dançar? Quando que ocê vai dar um passo pra trás, pras profundezas, pra dentro de ocê? Ah, minha nega! Ah, minha neguinha! Eu adoro vê esse povo rebolando, dando de ombro e parando de acreditar em ilusão. Mas tem neguinho por aí que gosta de apanha, de sofrer. Adora ficar lembrando do passado, preocupado com o amanhã, metendo o pau na vida dos otros, ou então se culpando e se criticando pruque erro na vida, pruque seu casamento divia de ter sido diferente. Hein, meu zebu. Quanto que ocê vai escolher amor e liberdade? Zóia com empatia pra ocê e busca compreender a dor que te levou a agir do jeito que ocê agiu.

- Ai, Mãe Preta, a senhora tocou na minha ferida. Eu me culpo mesmo. Acho que as coisas poderiam ter sido diferentes.

- Eta, porquera uai. Cai e levanta. Ocê acha que num pode errar? Fica nessa vaidade mesquinha querendo ser perfeito. Ocê errou e ainda vai errar muito nessa vida. Agora, meu fio, aprende a ser humilde e pára de se culpar pruque ocê num é perfeito, seu zebu. Ocê ta caminhando. Então volta a mirar sua meta e num pára no caminho.



Mãe Preta se dispedi dizando: muita paz!