
“Desceu a luz divina, lá na terra de São João.
Iluminou a terra inteira e renovou o nosso chão”MP
Eta porquera mais bão, uai. Eu sou o que sou, minha gente. Eu sou eu mesma, com a cultura que tenho. Uai, minha Nossa Senhora! Quanta gente aqui hoje. Esse povo é bão, gosta de crescer, gosta de aprender. Parece inté os rios que vão se avolumando antes de chegar no oceano. Ocês tão crescendo em sabedoria, em virtude. Tão se integrando ao ser superior que ocês são, num é mesmo minha gente? Uai, mas antes disso, antes de ocês se integrarem com essa consciência superior que ocês são, tem que curar as feridas psicológicas que ainda existem em ocês. Ocês sabem o que é ferida? Num sabe não, meu nego! Uai, sô! Que “trem” bão esse, num é mesmo? Tem neguinho aqui que quer atravessar o rio na marra. Quer chegar na outra margem sem precisar fazer o trabalho que tem que fazer. E então é pego no meio do caminho. Fica preso na zona perigosa, na “terra de ninguém”. Ocês conhecem a zona perigosa? Hein, zebu? Ocê conhece a zona perigosa? É a “terra de ninguém”.
Ocê quer uma outra realidade pra si mas ainda sente que já deveria ter abandonado determinados sentimentos, determinadas atitudes e comportamentos. Aí então ocê é pega pela desconfiança em si mesma e pela auto-crítica. Ocê toma no lombo o chicote do próprio ego, num é mesmo? Ah, eu conheço esse caminho, minha fia. Nega veia é experiente nesse trajeto. Ocê quer mudar de consciência mas num consegue sair dessa energia de julgamento e medo, num é mesmo? Acha que eu num sabe? Quando é que ocê vai sair dessa panca, sua sem-vergonha? Quando é que ocê vai começar a aceitar a si mesma do jeito que ocê é, com as porcaria que ocê tem? Hein, minha fia? Eu to falando com ocê, sua porca.
- Ai, Mãe Preta, não fala desse jeito se não eu não volto mais aqui.
- Uai, sô, que bão que ocê acordo. É procê gravar e num deixar que entre prum ouvido e saia pelo outro. Então abre bem esse ouvido, minha fia. É só através da energia da aceitação que ocê cunsegue enxergar as causas e motivos da raiva que ocê sente. A energia da aceitação permite que as coisas se revelem como elas são. Aí, quando ocê compreende o motivo e o medo que existe por detrás das suas reações e comportamentos, ocê se perdoa. E só quando há perdão é que ocê consegue seguir em frente, minha nega.
Então zóia procê na frente do espelho, bem dentro dos zóios e diz: “Eu te amo e aceito ocê do jeito que ocê é, com as porcaria que ocê tem. Ocê é o amor da minha vida. Num existe ninguém mior e mais bonita que ocê. Ocê é a mior, a coisa mais linda e maravilhosa que já me aconteceu”. Fala assim, fala, minha fia. Vai fazendo esse exercício procê curar esse coração que ta se sentindo sozinho e desamparado. Eu, essa nega preta sem nenhum dente na boca to aqui, zoiando pra ocê, esperando que ocê cumece a se amar e se aceitar do jeito que é. Ocê nunca ta sozinha!
Mãe Preta si dispedi dizendo aos filho: muita paz!
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