“Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.”
Fernando Pessoa
Eia, meu povo bão. Vim aqui é uma satisfação, uma alegria minha puder trocar com ocês essas coisa do coração. Canta meu povo bão. Canta, minha Virgem Maria, Nossa Senhora. Canta, meu São João e meu São Cristovão. Canta, maravilha de Brasil, terra amada e feliz. Uai, minha flor de misericórdia. Quanta alegria minha ta com ocês. O que é bão nóis sabe que é bão. O que é ruim, nóis tumbém sabe. Mas nóis que escolher o bão, aquilo que dignifica, aquilo que engrandece e eleva. Nóis quer o mior pras nossas alma, pro nosso espírito. Uai, ocê num sabia, não? Lembrar é sempre bão. Saber da verdade é mior ainda. Nóis somos espíritos, almas de passagem por esta terra. Mas nóis num somos qualquer alma, não. Nóis é fio de Deus, minha gente. Criados à imagem e semelhança Dele. Somos a própria beleza do universo. Somos a própria inspiração da arte, do belo, daquilo que enobrece e engrandece. Somos em essência o maior tesouro que foi criado em todo o universo de Deus. Num há nada mais lindo, mais digno, mais grandioso que nóis. Somos a própria coragem de Deus, a inteligência bunita, aquilo que canta e encanta. Uai, sô, quanta coisa ocê passou e tem passado, num é minha fia. E parece tão difícil de acreditar na sua verdade mais profunda. Nóis escolheu vim pra essa Terra. Escolheu esquecer quem nóis era. Escolheu atravessar pro outro lado da ignorância e experimentar toda a escuridão do mundo material. Escolheu experimentar o medo e a dor em toda a sua forma. Agora, minha gente, chegou o momento de recordar e viver novamente a sua verdade. Tudo o que ocê viveu tem um grande propósito que é engrandecer a sua divindade interior com a experiência sentida. É ela quem se beneficia com todas essas suas encarnações aqui na Terra. E ocê é ela. Ocê é uma divindade. Num é esse chulé veio, não. Ocê num é as suas dores nem as suas dívidas, nem os seus poblemas.
- Ah é Mãe Preta, então me diz o que eu faço com as minhas contas? Meu marido foi embora e me deixou com duas crianças pequenas. Eu quero saber se ele vai voltar?
- Uai, minha fia, tomara que num volte mesmo. Ocê mesma escolheu passar por isto. Pruque ocê num zóia pra dentro de ocê, pra sua alma?
- Por que que eu iria escolher isto?
- Pra ocê descobrir seu próprio poder, sua própria força.
- Mas não é meu carma?
- Que carma nada, Zebu. Ocês tem uma cabecinha tão pequena. Ficam presas nessas idéias de carma. Isso falta de vergonha na cara, falta de laço. Quer saber, seu marido num vai voltar, não. Ocê trata de pegar uma vassoura e um paninho e ir se oferecer pra faxina.
- Mas eu não fiz minha faculdade de contabilidade pra limpar chão.
- Então passa fome, muié. E num vem se colocar em papel de vítima, não. Enquanto ocê num admitir a sua parte de responsabilidade por tudo o que acontece com ocê, as coisas não vão mudar. Seja honesta, muié. Zóia pra ocê e assume a sua parte pela situação que ocê ta vivendo. É ocê quem atraiu tudo isso.
Mãe Preta se dispedi dizando: muita paz!
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