é magia que encanta,
faz a ilha delirar
as águas dançam no rio mar
Alegria no ar, vem festejar...”
Acadêmicos Do Tatuapé - Samba-Enredo 2005
Eu vim aqui pra soltar energia, minha gente. Põe alegria nesse pé, nessa barriga, nesse rosto, põe. Ocê tem de lembrar quem ocê é, meu fio. Ocês num têm disciplina nessa mente? Quem é ocê? É uma alma divina, poderosa, magnífica. Ah, ocê num acredita, num é mesmo? Ocê acha que é um pecador, safado, sem vergonha, um inferior cheio de defeito. Ou ocê consegue ir mais fundo dentro de ocê e tocar a sua divindade? Hein, minha fia? Ta esperando o que? Quando é que ocê vai dançar? Quando que ocê vai dar um passo pra trás, pras profundezas, pra dentro de ocê? Ah, minha nega! Ah, minha neguinha! Eu adoro vê esse povo rebolando, dando de ombro e parando de acreditar em ilusão. Mas tem neguinho por aí que gosta de apanha, de sofrer. Adora ficar lembrando do passado, preocupado com o amanhã, metendo o pau na vida dos otros, ou então se culpando e se criticando pruque erro na vida, pruque seu casamento divia de ter sido diferente. Hein, meu zebu. Quanto que ocê vai escolher amor e liberdade? Zóia com empatia pra ocê e busca compreender a dor que te levou a agir do jeito que ocê agiu.
- Ai, Mãe Preta, a senhora tocou na minha ferida. Eu me culpo mesmo. Acho que as coisas poderiam ter sido diferentes.
- Eta, porquera uai. Cai e levanta. Ocê acha que num pode errar? Fica nessa vaidade mesquinha querendo ser perfeito. Ocê errou e ainda vai errar muito nessa vida. Agora, meu fio, aprende a ser humilde e pára de se culpar pruque ocê num é perfeito, seu zebu. Ocê ta caminhando. Então volta a mirar sua meta e num pára no caminho.
Mãe Preta se dispedi dizando: muita paz!

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